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SENHOR GOVERNADOR GERALDO ALCKIMIN,
Não deveria espantar ninguém, afinal, o senhor apenas admitiu publicamente a linha de pensamento que o senhor, todos os seus companheiros de partido e afins seguem com plena convicção, ou seja, o pouco valor que dão ao pensamento intelectual e, portanto, ao destino da humanidade. Não deveria espantar ninguém ouvir de um governador convicto a afirmação afrontosa de que os estudos de pós-graduação na área de humanidades são “irrelevantes” e “não têm utilidade prática”. Claro que não: o senhor não é mais humano.
Sabe o que é pior, senhor Governador? É que, no decorrer de todos esses anos, o senhor, seus companheiros de partido e afins conseguiram convencer grande parte da população desse absurdo, misturando coisas que não devem ser misturadas – vacina contra H1N1, a alta do dólar, entre outras – e confundindo a percepção de pessoas até inteligentes, levando-as a crer que pensar o mundo, criticar uma situação de forma objetiva, subjetiva ou por meio das artes e manifestações culturais é bobagem de quem não tem o que fazer, além de ser chato; começar uma discussão desse tipo estraga o jantar de família, a festinha de aniversário, o churrasco entre amigos.
É óbvio e há tempos sabido. Investir em trabalhos que abrem possibilidades de reflexão que possam ser obstáculos a seus objetivos não seria conveniente. O que o senhor, seus companheiros de partido e afins desejam é o povo como gado marcado, caminhando obedientemente para o matadouro e realizando apenas aquilo que não atrapalha seus lucros, que não questiona os absurdos impostos a todos pela sua política, como se fossem coisas de gente normal, normalzinha, gente de bem: terminar um curso técnico, conseguir um bom emprego (claro que o adjetivo “bom” é relativo, o que é bom para o senhor pode não ser suficiente para muitas outras pessoas, e não me refiro somente ao “capital financeiro”) casar-se, ter filhos, constituir uma família e ir vivendo conforme a crise horrorosa do país permita. Teatro? Para quê? Leitura? Para quê? Artes plásticas? Para quê? Política? Deus me livre! De nada servem para quem tem uma grande família para sustentar, o que importa é a comida no prato das crianças, é a mensalidade em dia da escola particular que a classe média prefere pagar – aqueles que podem, claro, a duras penas, trabalhando de sol a sol, como escravos do bem, isso é o cidadão exemplar e temente a deus – já que em suas escolas públicas nem a merenda é garantida.
Está certo, senhor governador. Pensar a sociedade, produzir relações entre a atualidade e o que artistas visionários do passado criaram está fora de moda. Mudar o mundo é sonho de gente “brisada”. A Sociologia, a Filosofia, a História e as Letras não servem para mais nada. Claro que isso leva a outra solução que o senhor já visualizou: os professores de suas escolas públicas – e muitas das privadas também – não têm mais de estudar nada dessas coisas irrelevantes, portanto, não precisam se atualizar. Dessa forma, suas escolas ficarão no nível desejado pelo senhor, pelos seus companheiros de partido e afins: uma máquina que produz mão de obra mais ou menos barata para o mercado de trabalho tão sedento de seres que deixaram qualquer tipo de pensamento no passado e mal conseguem ler uma linha sem se esquecerem da anterior. Muito bem. Isso leva a outra solução maravilhosa e mais abrangente: será criada então uma sociedade relevante agora, que produz, que consome e que é vacinada contra a gripe influenza.
Só preciso alertá-lo quanto ao seguinte, senhor Governador: ainda há pessoas que não concordam com isso, ouviu? Cuidado com elas. Sei que não é preciso dar nenhum aviso desse tipo, afinal, o senhor, seus companheiros de partido e afins são mestres nisso, nessas coisas de reprimir o que os contraria; mesmo assim, cuidado, elas podem ainda querer questionar essas pérolas que o senhor diz publicamente, em alto e bom tom.
Para terminar, honorável senhor governador, eu canto assim para o senhor:

“A gente não quer só comida,
a gente quer bebida, diversão e arte,
a gente não quer só comida,
a gente quer saída para qualquer parte…”

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CARNAVAL!
Em tempos de avanços importantes, quando o assunto é o combate ao preconceito e à intolerância, é incrível ainda ver por aí pessoas desrespeitando uma das maiores festas da cultura brasileira: o carnaval. O maior problema não consiste em não gostar do carnaval, em detestar sair nos blocos, em criticar o abuso da figura da mulher pela mídia – posturas legítimas e que merecem respeito. O maior problema é debochar das pessoas que fazem desse evento uma grande festa ou criticá-las por meio daquelas falas clichezentas, conservadoras e moralistas: “não têm nem o que comer, mas gastam fortunas na compra de fantasias”, “carnaval é desculpa para sacanagem”, “é a festa onde o burro engravida dragão” e por aí vai.
Só é possível concluir que essas pessoas devem ter sérios problemas de recalque, desejo reprimido, projeção, seja lá a terminologia que a psicanálise lhes dê. A forte impressão, quando percebo esse discurso ressentido contra os foliões é a de que essas pessoas têm enorme necessidade de se sentirem superiores e o conseguem raramente; um dos momentos de vitória mesquinha nesse sentido seria quando insistem tanto em demonstrar tamanha aversão ao carnaval: pessoas que se sentem superiores porque odeiam se misturar ao povo nas ruas, nos salões, nas festas. Por meio desse discurso arrogante, transformam-se na linda elite brasileira em suas viagens com a família e amigos mais próximos, ou quando se enfiam em casas alugadas ou clubes, para ficarem sentados `a beira das piscinas particulares, enchendo o caneco de cerveja e falando mal do povo ignorante que está curtindo a festa mais bonita e autêntica da nossa cultura.
Repito: não há problema nenhum em não gostar da folia; descansar também é uma opção para o feriado de carnaval. O problema está em diminuir o outro, para sentir-se superior, muitas vezes em plena contradição: sacanagem não precisa de desculpa para existir; abuso contra a mulher ocorre há séculos, “burros engravidando dragões” é coisa que já vi até no seio das mais conservadoras famílias; violência e “bagunça” não precisam do carnaval para acontecer. Estão aí o tempo todo, inclusive dentro de sua própria casa, fantasiadas de diversas maneiras.
O carnaval é festa, também são longos dias para descansar e pode inclusive ser um tempo hábil para se colocar em dia o trabalho. Cada um faça sua escolha e respeite a do próximo.
Bom carnaval a todos!

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Almofada Breaking Bad HeinsenbergBREAKING BAD  –  um mosaico de representações.

Entretenimento pode ser algo que fazemos e depois esquecemos, pois o momento de prazer passa e daí partimos para outro. Contudo não é o que tenho ouvido sobre Breaking Bad: algumas pessoas que acompanharam a série ficam pensando nela por algum tempo depois, e muitas ainda afirmam terem sentido “um vazio” quando chegaram ao final as aventuras de Walter White – ou Heinsenberg – o poderoso e, por que não dizer, por vezes patético criador e produtor da metanfetamina azul. Não que isso tenha acontecido somente com essa série; são tantas as que fazem sucesso por aqui, principalmente em uma época em que os seriados americanos são a bola da vez.

Mesmo assim se torna curioso pensar sobre o motivo dessa fascinação da parte de quem se viu pego, talvez por alguma razão mais profunda do que apenas se deparar com um seriado americano divertido, sem apelar aos recursos menos caseiros da psicanálise ou da sociologia, mas apenas recorrendo de maneira simples à experiência. É divertido falar sobre Breaking Bad, sobre suas personagens por vezes imprevisíveis e tão caricatas da sociedade norte americana e de muitos outros lugares do mundo.  Quem sabe seja alguma espécie de identificação catártica, ou a certeza de que jamais estaríamos no lugar daquelas personagens, porque saberíamos parar; tanto faz. Alguns seriados americanos equivalem hoje às novelas que conhecemos tão bem, pelo menos há mais de cinquenta anos – se formos nos lembrar então das radionovelas, pode-se dar mais idade à invenção dos enredos segmentados, claro que sem levar em consideração a origem de cada uma – do folhetim continuado, da história que se interrompe no clímax para continuar no outro dia ou na próxima semana, fazendo o telespectador refém de determinado horário de seu dia.

As reações e falas desses telespectadores são as mais diversas, diante do comportamento e da evolução de cada uma das personagens, ao longo das cinco temporadas. Se observarmos de maneira superficial, vemos estereótipos da sociedade e de seus problemas mais recorrentes: a estrutura familiar forçadamente perfeita destruída pelas drogas, pela ganância e pelo dinheiro. Os bucólicos churrascos e reuniões em família nos quintais do subúrbio de Albuquerque – início entediante, romântico e ideal de grande parte de uma sociedade alienada e hipócrita – apontam para o subterrâneo da alma de pessoas que guardam debaixo do bonachismo, da alegria exagerada, ressentimentos, recalques e a essência da maldade primitiva inerente ao ser humano.

O que não se vê de modo tão explícito é o fato de que essa família foi construída sobre essas bases frágeis, fato que não seria tão chocante, caso fosse tratado de modo natural. Hank Schrader, o policial incorruptível (ou quase) e obcecado por Heisenberg, e sua digníssima e divertida esposa Marie, exemplos máximos do pensamento unilateral e autoritário da moral e dos bons costumes, compõem o lado mais genuinamente moralista da trama, ainda que Marie sofra de cleptomania e esconda da família, por longo período, esse seu problema. O próprio Walter White, em sua normalidade antes da descoberta do câncer, é um pai de família aparentemente comum e relativamente feliz, mas que disfarça grandes ressentimentos e frustrações: professor de ensino médio de adolescentes desinteressados, pai e marido sem grande domínio sobre decisões importantes, apagado e sem graça, nitidamente inserido em seu próprio mal estar de insatisfação reprimida, em nome da paz familiar, são elementos propícios para desencadear toda uma série de eventos imprevisíveis – Freud que o diga.

Alguns questionamentos morais e éticos sobrepõem-se de maneira bastante tendenciosa, claro, levando à clichezenta frase “o crime não compensa”, embora a irritante Skyler White diga, de forma bastante irônica, o contrário, em seu apogeu falso moralista. O fato é que, enquanto o crime está compensando, mais interesse a trama ganha dos telespectadores. Quem não imediatamente se coloca no lugar, mesmo que em sonho distante, de Gustavo Fring? Melhor: como seria fácil ter um Gustavo Fring resolvendo meus problemas! Inicialmente empresário inteligente, equilibrado e bem sucedido, que resolve qualquer situação e remove todo obstáculo, juntamente com seu simpático braço direito Mike, muitas vezes desejando evitar a violência, teve seu império destruído por um homem que perdeu o controle em defesa da família – fato bastante significativo. Todavia, antes disso, ficava fácil gostar dele: Gus representava estabilidade, proteção, as coisas funcionando na tranquilidade, obviamente um status quo que as instituições públicas não podem garantir. O poder e a inteligência sobrepunham sua psicopatia que, ao longo dos episódios, foi se tornando mais explícita, provavelmente para contentar parte do público que esperava um final politicamente correto.

Walter White, por sua vez, é um turbilhão. Sentimos dó desse homem atingido por uma fatalidade; admiração pelo conhecimento e intelectualidade; desprezo pelos momentos de estupidez insana e ódio em seu apogeu de ganância; grande misericórdia ao vê-lo tão prisioneiro e submisso ao desejo de manter a esposa e os filhos. Ele oscila entre um patético homem que a todo custo deseja manter as aparências de uma família perfeita – simplesmente ignora os silêncios à mesa do jantar, a distância e o fato de que a família já não mais existe como ele a considera – e uma malévola e importante peça do tráfico. Se há algo de sutil na construção dessa personagem, talvez seja seu relacionamento com o assistente Jesse Pinkman: sentimentos paternais e de necessidade de reconhecimento ao ódio e á indiferença.

Contudo, não seria demais enxergar em Heisenberg o próprio país norte americano representado como normalmente é visto: soberano e único; autoritário e um elemento que despreza qualquer outra parte do mundo. Essa visão imperialista é facilmente observada na aparente obsessão que Walter tem pela família, em sua manutenção, ainda que aos pedaços. Em um dos episódios, com o cunhado Hank mais uma vez prestes a ser assassinado pelos comparsas de Heisenberg, ele diz a frase chave: “No! He is… family!” Ou seja, fica clara a noção desse homem de que qualquer um que não seja da família pode facilmente ser eliminado da face da terra, como várias vezes ocorreu ao longo das temporadas, mas, sendo da família, isso é inaceitável, assim como é inadmissível que qualquer norte americano seja atingido. Todavia, o poderoso criador do cristal azul acaba admitindo que tudo o que fez, ao final das contas, não foi pela família, mas por ele mesmo, fato que apresenta outro paradoxo: o mal está inserido no seio da família; existe; apenas é, porque o mal primitivo está na essência de muitos seres humanos e, juntando-se ao poder, só Deus sabe.

Jesse Pinkman salva os telespectadores de sentimentos mais sensíveis e amargurados, pois é um ser humano explicável e que não cultiva o pecado da maldade, apenas o da ira. Jesse é a ira, é o adolescente drogado porque foi criado e abandonado pelos pais bizarros de maneira que pode explicar seu desvio comportamental – fato que se confirma pelo irmão mais novo, que também fuma maconha. Contudo, é o único ali que se afeta pela violência, pela vida, pelo ser humano; é o único que muitas vezes não se rende diante de uma cédula balançando à sua frente ou por uma mala repleta de dólares. Jesse contraria a abominável frase lugar-comum: “todo homem tem seu preço”. Sempre desprezado pelos demais como o junkie encrenqueiro, essa personagem vai crescendo ao longo da série como o menos falso moralista de toda a trama. Sua perdição e o desejo de liberdade permeiam-lhe todos os gestos e ele se coloca claramente como o grande exemplo de adolescente invadido pela carência de alguma família que possa ser real; ele claramente se incomoda com a hipocrisia, com o deixa-estar, com a falta de qualquer verdade. Jesse talvez deixe claro que o importante, no fundo, não seja manter uma família a qualquer custo, mas manter certa dignidade – outra grande ironia: o desprezível junkie, tido como um lixo de que a sociedade – ou a família – não vê como se livrar.

Mais do que aventuras, estratégias mirabolantes, reflexões sobre drogas, sobre a família, a ética, a moral e os bons costumes, Breaking Bad, bem ou mal, é um banho de ironia, ainda que tenha tido um final explicitamente moralista, tão explicitamente moralista, que chega a sugerir que tenha sido forçado e aí reside a grande ironia: apesar do final politicamente correto, não deixou de fazer estragos ao longo do caminho: ridicularizou instituições – a mais afetada, sem dúvida, a da polícia – desmascarou a família, a Receita Federal, as grandes e aparentemente bem feitoras empresas, o homem e a mulher que se acham bem distantes da imperfeição, ou do fato de serem humanos. Apesar da banalização da violência – alguns momentos claramente à La Tarantino – a história não foca propriamente o problema das drogas, mas alguns momentos por que a alma humana pode passar.

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Exame Nacional do Ensino Médio. 

Que seus netos e de todos os brasileiros possam usufruir, um dia, de excelentes escolas, hospitais e atendimento públicos. Que todos os brasileiros possam usufruir de lazer, cultura e dignidade. Que não tenham que ralar até morrer na sua micro, quase micro ou média empresa só para poder pagar colégio particular ou convênio da Amil. Sonho? Utopia? É a única vez na história deste país que está sendo possível ver luz no fim do túnel. Isso é mudança e, com certeza, em SP pelo menos, há mais de 20 anos, difícil ver alguma coisa nesse sentido melhorar. Mesmo assim, a classe média paulistana também conseguiu manter seu negócio, alguns até prosperaram e adquiriram a casa própria, o carro importado, viagens ao exterior. Não foi pela gestão tucana, com certeza que não; também não foi apenas pelo esforço individual. Fosse há trinta anos, nenhum esforço individual sobreviveria a uma crise, como foi durante longo tempo de nossa história.

Agora, o que mais me impressiona ultimamente é o desmascaramento das mais profundas profundezas da violência reprimida da ignorância. Clamar pela ditadura militar? Propor leis que definam o que é o núcleo familiar? Comparar a gestão petista ao bolivarianismo? É assustador verificar, por meio dessas manifestações completamente sem sentido nem fundamento, que muitas pessoas estão vivendo uma espécie de esquizofrenia muito séria. A historicidade, a memória, os valores humanos, o cultivo sério e responsável da leitura, da escrita, da construção de conhecimento estão passando por uma espécie de retrocesso paranoico. Somente por meio de teorias psicanalíticas (bem caseiras, sem dúvida) é possível conceber tanta estupidez. Grande parte da classe média paulistana pirou. Pior: sempre foi pirada e agora só se expõe sem mais nenhum tipo de pudor.

Contudo, passadas essas eleições – no final das contas, vitoriosas – o foco agora é observar atentamente as reações à continuidade do trabalho que vem sendo feito. Muitos hão de querer o pior – outra estupidez das grandes – e devem fazer esforços enormes para distorcer tudo, como tem acontecido nos últimos anos.

O ENEM, por exemplo, um dos projetos mais consistentes dos últimos tempos em termos de educação no país. Seu objetivo principal, seja sempre lembrado, uma vez que a mídia faz questão de tratar essa avaliação como mero pré-vestibular, um meio de obter pontos, é o de desarticular, a longo prazo, justamente a indústria do vestibular. Obviamente isso não é fácil. Grandes cursinhos renomados, alguns colégios consagrados certamente não serão beneficiados.

Muito já fizeram para distorcê-lo, desviarem-no de seus reais propósitos frente aos estudantes, seus pais e a toda população. Vazamentos de questões, perda de credibilidade, a desvalorização dos profissionais que trabalham na correção. A mídia é descarada: mostra os pobres garotos e garotas varando madrugadas e fazendo festinhas nos cursinhos pré-vestibulares, “para descontrair”. Sádicos, ainda, indiretamente, colocam essa carga de sofrimento por que passam os alunos como sendo culpa de quem inventou o ENEM.

De uma vez por todas, o objetivo do ENEM, pelo que entendo, é avaliar capacidades e habilidades do candidato, para resolver problemas. Essas capacidades e habilidades não se desenvolvem somente no Ensino Médio, mas ao longo de toda a vida escolar. Ou seja: diferentemente do vestibular, o ENEM tem (ou um dia terá realmente) o objetivo de avaliar tudo o que as escolas construíram em termos de valores humanos, que são envolvidos nas ciências e tecnologias, ciências da natureza, linguagens e seus códigos. Por isso, não é adequado pensar na expressão “treinar para o ENEM”. Pais desavisados ou desinformados, donos de colégios desesperados por ver o nome de suas  instituições entre os primeiros naquelas listas duvidosas de revistas duvidosas: o ENEM não é treino de academia militar, não é condicionamento intelectual, nem memorização de fórmulas, nem massacre de professores e alunos, muito menos milagre que vem não se sabe de onde nem por quê. O máximo de “treino” que se pode oferecer em seis meses, seria o condicionamento físico, porque ficarão sentados durante horas, numa única posição.

O ENEM avalia o desenvolvimento da capacidade intelectual do aluno para resolver problemas da humanidade, de que todos fazem parte. Não se deve estudar, então? Claro que sim, isso sempre. Mas estudo que consiste em leitura, reflexão, enfrentamento de problemas, troca de ideias solidamente construídas sobre conhecimento sério e profundo. É preciso levar a sério, jovens, o mundo em que vivem; não é mais possível hoje fugir a essa responsabilidade. Também é preciso que a administração dos colégios dê condições a professores, para que se desenvolva esse tipo de trabalho.

Dessa forma, sugiro que, antes de mais nada, os pais procurem conhecer a base filosófica que compõe o colégio onde vão matricular seus filhos. Procurem saber conversando com os próprios filhos, o que aprendem na escola, ou melhor, se aprendem a pensar (na hora do marketing, os colégios dizem muitas coisas). Conteúdos, encontramos em qualquer colégio de esquina. Agora, a capacidade de discerni-los não é para qualquer um. Independentemente de sua ideologia, quero crer que princípios básicos de ética, cidadania, de valor à vida e aos princípios de direitos humanos todos os pais querem para seus filhos, inclusive, perguntem como são tratados os professores que trabalham ali. O discernimento responsável para formar seres independentes e capazes de pensarem sozinhos é o que de mais importante se pode ensinar. O vestibular, o título, pode ser valioso para muitos, mas de nada vale sem o conhecimento e sem essas habilidades de convívio social, com o diferente, com respeito, naturalidade e dignidade.

Para os que já estão terminando essa fase de vida escolar, não significa que tudo esteja perdido. Sempre há tempo para se informar, para aprender a pensar.

Assim espero que, no futuro, manifestações nas ruas sejam somente aquelas feitas com responsabilidade, para reivindicar direitos baseados em coisas sérias, não em reproduções de mentes ignorantes e, na pior das hipóteses, completamente insanas.

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Os clichetes dos apolíticos.

Agora que a Copa é coisa do passado e esperança no futuro, lá vêm as eleições e, com elas, outras demonstrações de paixão, engajamento, algum tipo de patriotismo, indiferença e muitas burrices. É fácil, portanto, colocar os dois eventos em pé de comparação, o que não deixa de ser legítimo. Só que acho também válido abordar as diferenças – sérias diferenças – quando o assunto é escolher seu representante: o esporte, pelo que entendo, é entretenimento, saúde, união, pelo menos teoricamente e, claro, também tem um lado político. Mas, quando acabam os grandes torneios, nossa vida continua por nós mesmos; em nada se alterará nossa rotina tão diretamente, nossos problemas, nossas contas a pagar, enfim. Por outro lado, a política influi diretamente nossa vida, por mais que não pareça e, após as eleições, pelo menos nos quatro anos seguintes, a coisa continua.

Por isso fico realmente pasma quando algumas vezes vejo pessoas afirmando categoricamente que, em forma de protesto, votarão em branco, ou anularão o voto; os “apolíticos” de plantão. Um de seus argumentos mais frequentes é o de que nenhum daqueles candidatos disponíveis os representa.

Ora, tudo começa daí. É uma arrogância tamanha achar que nenhum candidato os representa. Como assim? Pertencem então a um grupo seleto e “diferenciado”, que não compartilha nenhuma das reivindicações do pobre povo comum? Ou ainda aquela máxima de que “não adianta”, nenhum deles vai resolver os “verdadeiros” problemas do país. O que seriam esses “verdadeiros problemas”? Melhor: então nos últimos quinhentos e poucos anos tudo o que foi conquistado é falso?

Já virou até clichê dizer que os graves problemas de um país não se resolvem em quatro anos, nem em oito. Todo mundo diz isso. Mas daí, na hora de votar, essas pessoas “acima dessa política inútil” anulam o voto. Isso me parece mais uma grande preguiça de pesquisar, de entender a dinâmica complicada dos procedimentos políticos, de usar a massa encefálica para entender o mínimo que seja o desenrolar de sua própria história. É bem mais fácil dizer que é apolítico e abster-se de opinar, de defender um ponto de vista, um posicionamento. Claro, há as contas por vencer, o trabalho, a falta de tempo para assuntos que “não resolvem nada”… Esse posicionamento de não se posicionar expressa mais falta de conteúdo do que uma pretensa inteligência superior.

Por favor, apolíticos, pensem um pouco além dos seus muros protegidos com lanças letais: claro que todos nós temos direito à nossa individualidade. Contudo, lembrem-se de que qualquer governo deve primar pelos interesses coletivos.  Educação, saúde, moradia são interesses coletivos. Pagamos por esses direitos e não é nada barato. Apolíticos, vocês já adquiriram a casa própria? O carro novo? A escola das crianças está em dia? Estão conseguindo a duras penas manter o plano de saúde? Que bom. O suor do trabalho, não os políticos lhes deu tudo isso, não foi? Por isso é que vocês são pessoas melhores do que o resto do povo.

Bem, por outro lado, há uma maneira um pouco menos limitada de pensar. Há algum tempo, nem o suor do trabalho dava jeito. A situação mudou muito, é só ler um pouco dos noticiários, sempre apelando ao discernimento, claro, a classe média hoje consegue sobreviver com um pouco mais de folga. Essas estatísticas em si agora não vêm ao caso. Gostaria de chamar a atenção para o fato de que houve conquistas, a despeito de muitos problemas continuarem existindo. E, se houve mudanças que podem ser consideradas significativas, foi porque houve muitos que, de maneira ou outra, posicionaram-se. Vocês, prezados apolíticos, não contribuíram em nada para isso, mas decerto usufruem dessas conquistas. Isso é parte da democracia.

Então, sentimentos engajados e patrióticos à parte, cuidado: não mascarem a anulação do voto, afirmando que é um posicionamento. Definitivamente, não é uma forma de manifestação política, a meu ver. É uma burrice, desculpe-me o termo deselegante os apolíticos mais sensíveis. Burrice porque é omissão, preguiça, egoísmo, seja lá o nome que quiserem dar. Só sei que não é bom. Anular o voto significa dizer “não estou nem aí” para quem vier, bem diferente de demonstrar que não aceita nenhum daqueles candidatos que ali estão.

Daí decorre outro problema: a maioria dos apolíticos também, quando votam, o fazem pensando em uma figura individual. O eterno paternalismo, herança dos tempos de colônia.

Pensadores antigos já diziam que política e família não se misturam. Interesses individuais e coletivos devem também ser separados. Assim como se deve ter a noção de que, se faço parte do coletivo, devo também desejar que o coletivo vá bem, pois assim o individual do mesmo modo se beneficiará. Noções bem simples que esbarram na falta de informação, na preguiça de pensar e no comodismo. Por tudo isso, quando se vota, não se está dando crédito a uma única figura. Deve-se levar em consideração que está se dando crédito a todo um processo ou a uma história que vem trabalhando pelos interesses coletivos. Aquela única figura que está à frente não faz nada sozinha.

Não se vota pelos erros e acertos deste ou daquele governo ou partido. Deve-se votar pela filosofia que têm por base, pois é a partir dela que as coisas vão se desenvolvendo. Os erros e acertos cabe a nós apontar e cobrar.

Então, apolíticos, termino dizendo que vocês têm todo o direito de serem apolíticos. Isso também faz parte do processo democrático. Só que, para ser qualquer coisa, é desejável que seja por convicção verdadeira. Não por apenas achar que isso seja inteligente, ou porque, nas rodas de churrasco entre amigos, todos dizem isso; trata-se mais de um discurso reproduzido do nada. Coisa que se ouviu e que se repete sem nem mesmo saber direito por quê.

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Pensando um pouco sobre o escritor…

Em todos os tempos e principalmente neste mundo pós-moderno, em que, segundo Adorno, estamos perdidos em meio à indústria cultural de massa e o consumismo desenfreado, escritores também se perdem. E consomem. Consomem o quê? Além de alimentos, roupas e eletrodomésticos, escritores consomem gente. A matéria principal do escritor são as pessoas e suas histórias. Assim como para os psicólogos, psicanalistas, enfim. Histórias patéticas, tristes, poucas vezes alegres, ternas, trágicas, até mesmo histórias que aparentemente não têm graça nenhuma. Elas ganham esses adjetivos pela mão do escritor e de seu ponto de vista, pois é ele que pode transformar a triste vida de uma pessoa em uma história engraçada, por exemplo. O contrário também vale e é o mais recorrente: aos olhos da maioria das gentes, a realidade de uma pessoa é tão comum – por mais que ela sempre ache especial, nada mais justo nós mesmos querermos fazer de nossas vidas algo diferente – e o escritor transforma aquilo em algo especial, sempre lembrando, porém, das palavras de Fernando Pessoa:

 O poeta é um fingidor,

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

Não é possível forçar uma receita de como é que o escritor faz isso. Cada um deles tem seu procedimento, seu método, seu objetivo ao escrever. Alguns são disciplinados e constantes, outros se deixam levar pela inspiração e acabam não fazendo nada; outros ainda vão às ruas procurar material para seus escritos, permitem-se conviver com pessoas exóticas, esquisitas, chatas ou estúpidas, doentes da alma; muitos escritores estudam, pesquisam. Enfim, cada um tem seu jeito e ainda há aqueles que fazem de tudo isso um pouco.

Gosto muito das falas de alguns dos grandes escritores e poetas da nossa História sobre esse assunto. Se não me engano – permito-me não ser tão rigorosa em termos de referências bibliográficas, porque isto não é uma dissertação de mestrado – um poeta francês do início do século XX (por favor, podem me corrigir se eu estiver errada) disse algo sobre inspiração e trabalho de artistas em geral. Comentou que lamentava não ser pintor, pois havia coisas que ele gostaria de poder expressar pela arte plástica, pois só por ela isso seria possível. E uma vez não tendo esse talento nem a possibilidade de desenvolvê-lo, a coisa ficava sem ser expressa. Assim como muitas pessoas não expressam nada por ter como única ferramenta a vergonha de expor a pobreza de espírito. Sem dúvida também há os que não expressam nada simplesmente porque nada têm a expressar e, não se dando bem conta disso, chegam a inventar, o que não deixa de ser certa tentativa de criatividade.

Achei realmente interessante esse modo de pensar do poeta francês, pois nos remete àquilo que, na literatura, chamamos de forma, cuja matéria prima é a palavra. Não basta contar uma boa história, isso qualquer pessoa que tenha o mínimo de domínio sobre uma boa redação faz num churrasco com os amigos e a intenção é outra. Todos que aprenderam a escrever conseguem, bem ou mal, utilizar a palavra, mas nem todos conseguem trabalhar com ela de maneira a transformar a boa história em literatura. Isso sem mencionar as escritas mais complexas, como a de Clarice Lispector, que muitas vezes disse que as palavras adiantavam-se à história. Coisa de louco, não?

Posso dizer aqui, então – tentando desfazer a imagem de arrogância que muitos escritores e artistas assumem – que este é o maior trabalho e dificuldade de alguém que se diz escritor ou artista: potencializar, manipular, combinar ou descombinar palavras, de maneira que esse trabalho cause alguma impressão, seja ela qual for.

Os tipos, as personagens, as histórias são retiradas da vida real? Acredito que sim, trata-se da “realidade transformada”. Podemos transformar uma pessoa comum, sem graça, imersa na normalidade do cotidiano, em herói, vilão, palhaço, num legume insosso, depende da nossa intenção. Fazemos isso o tempo todo, mesmo não sendo escritores. A diferença é que o escritor tem de conseguir colocar essa impressão no papel de maneira diferente. Não nos interessa a realidade objetiva das pessoas. É apenas uma criatura que nos causou uma impressão, boa ou má, adjetivos extremamente subjetivos – impressão que o escritor vê de maneira diferente de quem não é escritor. Como disse Paul Valéry “um pintor não deveria pintar o que vê, mas o que será visto”.

Além disso, a impressão de cada um que lê é permeada de significados diferentes, de acordo com a visão de mundo. Uma pessoa, por exemplo, acostumada a conviver em ambiente limitado de toda e qualquer relatividade – que também tem suas histórias – pode entender a palavra “vadia” de uma maneira diferente de outra que tenha seus horizontes um pouco mais desenvolvidos. Questão de alcance. Outro dia, num café, ouvi uma senhora, aparentemente muito distinta e elegante, dizendo à filha, de forma serena e poderosa: “… filha, antes ser vadia, do que patroa...” Fiquei tão surpresa e feliz que nunca mais esqueci essa senhora e, mesmo não conhecendo nada dela, nem do contexto em que essa frase se encaixava, fui tomada por admiração e desejei ser igual a ela quando crescesse! Que desprendimento dos significados engessados para uma senhora que tinha tudo para ser conservadora; claro, assim pela primeira impressão que ela passava, que felizmente foi logo desfeita.

Essa senhora mudou minha vida, na medida que me fez preferir sempre pensar que há pessoas que não desejam desenvolver a inteligência, em vez de tachá-las com aqueles adjetivos de praxe, pois assim fica como sendo questão de escolha, o que é menos trágico. Mesmo porque o trágico, como se apropria destas palavras uma das minhas personagens que está correndo atrás de editoras para ser exposta ao mundo – com certa dose de pretensão – o trágico foi privilégio da Antiguidade.

Essa é apenas uma vertente de várias que são discutidas por aí e pode não estar certa nem errada, sempre repito. As pessoas são imprevisíveis, mesmo aquelas que preferem usar pouco a inteligência. E isso é o mais belo dessa vida, o mais belo de ser humano.

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Um ponto de vista sobre Educação.

Falar sobre Educação no Brasil exige muito mais do que os recentes clichês que são divulgados pela maioria dos veículos de comunicação. Leigos – pais e alunos – e teóricos respeitados não se comunicam, nem sequer falam a mesma língua. Digo leigos, porque é uma coisa que precisa ficar bem clara: nem pais, nem alunos tiveram formação para serem educadores, até mesmo muitos professores não podem ser considerados educadores. No entanto, como as coisas se misturam, acham que entendem de tudo. Explico: os senhores pais entendem – ou, na melhor das hipóteses, deveriam entender – os filhos. Conhecem suas manias, suas tristezas e desejos. O que acontece é que educar um adolescente e prepará-lo para a vida é diferente.

Mas pior do que leigos e teóricos respeitados que não se entendem, são os pseudo-pedagogos da educação, que produzem um discurso apelativo, atrapalhado e, não raras vezes, incoerente, cultivando estereótipos levianos, quando o assunto recai sobre as escolas públicas versus privadas e, claro, a figura do professor.

Não é verdade que todas as escolas públicas são de péssima qualidade e, muito menos, que pagar uma escola privada seja garantia de bom ensino. Sendo o pecado da moda a generalização inconsequente, é de bom tom admitir ser possível que haja colégios tradicionais que estão perdendo a mão nos “resultados” e colégios emergentes e modernos que encontram caminhos alternativos e criativos para a educação de seus alunos. Há escolas públicas desassistidas, abandonadas, onde a chaga do descaso já provocou tanto dano, que uma recuperação saudável do ambiente, da comunidade, da dignidade de professores, diretores e pedagogos não é tarefa fácil. E há colégios ditos tradicionais – em se tratando somente da cidade de São Paulo – por exemplo, que tentam se modernizar cometendo os mesmos erros que a administração pública: investem em equipamentos, informática, construção de mais edifícios e infraestrutura, e se esquecem do principal elemento que faz tudo isso funcionar – o humano. Promovem cursos extensivos de Power-Point, jornadas infrutíferas de reciclagens semestrais, contratam, por vezes, palestrantes caros que vêm dizer o já dito, para poderem afirmar que investem também em seus recursos humanos. Pais desavisados ficam impressionados e a imagem que a instituição passa é a de um colégio perfeito, que se moderniza com o correr desses tempos em que a concorrência no mercado de trabalho exige sangue, dedicação, entusiasmo e muito amor.

A escola pública conta com verdadeiros heróis, mais até do que as privadas, pois o salário é bem menor. Convenhamos: é praticamente impossível sobreviver no mínimo dignamente com o salário que oferece o governo estadual. Mas falar de salário parece ser um tabu. De verdade, é. Um tabu que, em se tratando de professores, foi construído e instituído solidamente no decorrer dos anos. Além desse problema delicado e evitado, há o fato de que, na cúpula da administração pública da educação, poucos são os que têm o mínimo de formação, competência e entusiasmo para promover mudanças significativas. A maior parte deles jamais entrou em uma sala de aula. Não tem a mínima ideia do que seja estabelecer essa comunicação delicada, difícil e estável com adolescentes ou crianças, para construir conhecimento e formar pessoas com valores sólidos de ética e cidadania. E provavelmente não estão interessados. O que importa é o gabinete.

Os empreendedores que se voltam para a escola privada ganharam espaço há mais de quarenta anos nesse nicho que a escola pública, sucateada, combalida e massacrada, deixou. Houve bons tempos, para os que podiam pagar, criando-se assim aquele círculo vicioso da elite intelectual brasileira. Contudo, hoje, a escola privada também acabou se transformando em mercadoria e prima pelos resultados, utilizando precisamente essa linguagem do meio empresarial, que visa “lucros”, de olho nos “prejuízos”. O Enem e os principais vestibulares tornaram-se a meta a atingir, naquele prazo determinado de investimento – nove ou dez anos de vida escolar.

Esses procedimentos que evoluem a passos largos giram em torno do perverso, não necessariamente pelo fato de se encarar a escola como empresa. É a lógica do capital e, para sobreviver, é necessário que se façam contas e balanços de perdas e danos, tendo em vista os resultados. Mas o exagero da exploração vai além da conta. Não se trata aqui da exploração-clichê da “classe trabalhadora” somente, mas, muitas vezes, dos pais desses alunos: desavisados, iludidos e ocupados. Clientes em potencial, cuidado com a propaganda enganosa.

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2 ideias sobre “Artigos

  1. Daniel Tamayo

    Oi professora Denise, tudo bom?

    Estou lendo seus escritos aos poucos, apreciando cada parágrafo, lendo um pouquinho por dia para não acabar tudo de uma vez. Como a gente faz com aquele doce gostoso que vai comendo pelas beiradas…e estou gostando muito.
    Acabei de ler seu artigo sobre os escritores e achei muito bom. Gostei desse jeito de falar bem sem precisar apelar para citações de “autoridades intelectuais”; usar bons autores apenas como referências, deixando espaço para seu pensamento. Gostei também dessa atitude aberta e de quando você diz que uma das coisas que diferencia o escritor é sua coragem. Acho que ainda me falta esse tanto de coragem para escrever as coisas que penso, mas tudo a seu tempo.
    Fico muito feliz de ler seus escritos e saber que você está fazendo aquilo que ama. Isso me dá mais coragem e incentivo para seguir essa trilha.
    Obrigado por compartilhar tudo isso!

    Beijos
    Daniel

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    Resposta
    1. denisesintani Autor do post

      Olá, Daniel! Muito obrigada pelas palavras e pela visita, que são o que mais valem para quem escreve, pelo menos para mim: ver que os leitores gostam ou, no mínimo, ficam tocados. Ainda mais palavras tão incentivadoras vindas de um excelente ex aluno, como poucos que tive e que guardo com carinho na memória! Sem dúvida, levei tempo para aprimorar e ainda acho que há muito a fazer, mas o importante é começar. Tenha certeza de que vale a pena, nunca desista!!! Espero que consiga ir ao lançamento do meu livro! Obrigada, beijos!

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