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Mas por que livrar-se do que se amontoa, como em todas as casas, no fundo das gavetas? Vide Manuel Bandeira: para que ela me encontre com “a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa em seu lugar”. Por que tirar do fundo da gaveta, por exemplo, ‘a pecadora queimada’, escrita apenas por diversão, enquanto eu esperava o nascimento do meu primeiro filho? Por que publicar o que não presta? Porque o que presta também não presta. Além do mais, o que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão. (Clarice Lispector).

hilda

Imagina-te a mim
A teu lado inocente
A mim e a essa mistura
De piedosa, erudita, vadia
E tão indiferente.

Tu sabes.
Hilda Hilst

 

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Alguma introdução…

Há muitos anos, vi na televisão um programa literário em que entrevistavam o escritor e jornalista Raimundo Carrero. Eles falavam, entre vários outros assuntos, sobre dúvidas, dificuldades, tristezas e alegrias de ser escritor.

Na época, eu tinha alguns textos e um romance (muito ruim) guardados de lembrança na gaveta; sempre gostei de escrever, por isso me interessei, mas nunca levei a cabo essa intenção, pois havia me enveredado por outros caminhos bem diferentes, por força das necessidades.

Ao final do programa, o escritor falou sobre sua oficina literária, em Recife, que mantém até hoje, deu o telefone da oficina e um outro, para quem desejasse contato ou obter mais informações sobre seu trabalho. Anotei todos, pois achei que poderia buscar por informações sobre trabalhos parecidos aqui em São Paulo.

Alguns meses se passaram e, por força das circunstâncias, resolvi ligar para aqueles números, naqueles impulsos que a gente tem na vida de fazer algo. Era mês de fevereiro, naquele ano em que a chuva castigou Recife. Por isso ninguém atendia na oficina, provavelmente estavam no trânsito, tentando chegar.

Então tentei o outro número – que era de celular – e qual não foi a minha surpresa ao ter sido atendida pelo próprio!

“Quem fala?”

“Raimundo Carrero”.

“Raimundo Carrero? Mas… é você mesmo?”

Foram essas as primeiras desastradas palavras que troquei com ele, o escritor de verdade, o primeiro com quem tive contato. Desde então, ele se propôs a ler alguns contos que eu havia escrito e me ajudar a não desistir. Muitas dicas e orientações foram preciosíssimas para meu amadurecimento como escritora, conversávamos por telefone, toda semana eu ligava para ele, depois de ter enviado pelo correio alguns trabalhos (naquela época ele ainda não mexia com e-mails!).

Uma das coisas que perguntei a ele em um dos telefonemas e conversas foi como, finalmente, me tornar uma escritora. Ao que ele respondeu, da maneira simples e generosa de sempre:

“Denise, você já é escritora. A partir do momento que você se senta e escreve, já é escritora. Agora, para publicar, são outros quinhentos!” Foi mais ou menos assim que tudo começou, digamos, de verdade e que, além de aprender que eu já era uma escritora mesmo nunca tendo publicado nada ainda, aprendi também que os escritores – geralmente – são pessoas normais, de carne e osso!

Na Fliporto, ano passado, não pude deixar de visitá-lo, para conhecê-lo pessoalmente. Foi uma das mais felizes experiências de minha vida e, Raimundo Carrero, simples e mestre, mesmo ainda um pouco abatido por problemas de saúde por que passava na época, me recebeu como se fôssemos grandes amigos de séculos!

Nos últimos dois anos, no entanto, foi que consegui finalmente disponibilidade para começar a divulgar meu trabalho como escritora, além de conhecer e me aproximar de meus possíveis leitores. Agora estou na luta, como muitos, este blog faz parte desse processo e pretendo publicar regularmente textos aqui, vou me esforçar muito para conseguir.

Estou ainda construindo, reformulando, experimentando, por isso um pouco de paciência com a desorganização. Mesmo assim, espero que gostem, que meus textos acrescentem qualquer coisa na vida de vocês: reflexão, divertimento, raiva, desprezo… que provoque qualquer um desses sentimentos que são humanos!

Divirtam-se!

Denise