POETAS ESPECIALMENTE CONVIDADOS

Dedico esta página a escritores e poetas amigos especialmente convidados e a inauguro com a honrada presença de Manuela Maria Marquise, poeta no momento eventual, mas que, mesmo em sua efêmera eventualidade, nos brinda com esse olhar atento às recônditas belezas e desbelezas das grandes cidades tão paradoxais: o cruel, o belo, o patético, a estupidez e a gravidade dos umbigos descobertos… Seja bem vinda, Manu!

Do alpendre da Pinacoteca
O cinza carvão e a moça na parede do arranha-céu ?!
tão alta
tão loira
tão quadrada
esquadrinhada
em palmeiras entre cores
de pop art (!) fajuta (?)
original (?)
e arlequinal (!)
Tão Sampa!
Tão Luz!
em meio às trevas do centro da cidade?!
(Manuela Maria Marquise, In: Poesia-Combo)

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Bem vinda, Rosa Luxemburgo, mais uma poeta que surge nessa nova idade das trevas brasileira. Que suas palavras traduzam a humanidade tão esquecida…

Pagu menina
Eu, Mulher, tenho nojo
de apologia à tortura
de ratos e baratas na vagina
da cadeira do dragão
[para as não princesas submissas e para as princesas que fazem amor gostosinho somente pra agradar os sapos que estão sempre à espreita de qualquer merda]
de SIM pela família e pela destruição do grelo
de SIM pelos filhos e pela destruição do útero
de SIM por Deus e contra a fé na vida no futuro na existência
Eu, indignada e injustiçada,
de dentes quebrados e passado aniquilado
por um verme [hoje] exaltado aplaudido aclamado
saio com o corpo e a alma usurpados
pelo estupro
pela perda dos direitos
[estes eu nunca conheci]
pela linha de frente
pela chacota à minha feminilidade
pelo descaso à minha humanidade
pelo circo à minha governabilidade
pelo destaque à minha fragilidade
 
Só porque sou MULHER
TORTURADA
VILIPENDIADA
HUMILHADA
INJUSTIÇADA
VIOLENTADA
DESACREDITADA
ULTRAJADA
VITIMADA
pelo nosso Estado de não-direito não-acesso não-cidadão
em nossa História que explica a minha má formação
em nossa sociedade fraca submissa pequena
nada democrática
 
Mas eu luto desde jovem
por convicção
por paixão
Mesmo na minha madureza perpetrada
por pusilânimes ataques
daqueles que não souberam perder.

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